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Meu coração não é mais vencedor


Olhando para a rua sombria e silenciosa percebi o quão vazia ela estava e me perguntei se algo podia ser mais vazio do que outro. Naquela noite meu coração estava vazio, mas aquela rua certamente era maior do que ele e eu me perguntava se em algum torneio sobre qual o mais vazio ela venceria o meu coração. E, naquele momento, eu percebi que não.

Alguns dias antes a raiva tomou de conta de mim e cada pensamento, cada sentimento passou a ser menor do que aquela raiva que destroçava meu coração e minha alma. Naqueles dias eu deixei de acreditar no amor e na esperança de que as coisas poderiam mudar. Deixei que todos os meus sonhos seguissem somente para o plano racional e o emocional deixei de lado. Perdi até a capacidade de escrever algo, de acreditar em alguma coisa o suficiente para que fizesse meu coração sair de si e chegar aos meus dedos, transbordando em palavras cheias de vida.

Aquela garota que acreditava em sonhos, que queria uma vida simples e boa e fazer coisas românticas estava seguindo para o caminho da infelicidade e das pessoas amargas que não gostam da vida. Eu andava lentamente para o lugar dessas pessoas, assim como caminhava por aquela rua quieta e sozinha. Eu me sentia sozinha também, me sentia num poço sem esperar que aparecesse alguém para me salvar. Mas de repente chegou alguém e me pegou de surpresa.

Repentinamente eu já não estava mais naquela rua e a esperança voltava a criar raízes em meu peito e tudo parecia clarear em volta de mim e o amor passou a existir, a durar, a ser carinhoso e não machucar tanto. E naquele torneio, meu coração já estava tão cheio que aquela rua ganhava dele em solidão, pois eu não estava mais assim.

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