Pular para o conteúdo principal

Como ela se sentiu


"Ela é gostosa, não é?"
Essa frase não foi dita para ela, foi dita para outra. E dentro de um turbilhão de sentimentos que passaram rapidamente sobre seu coração, sobrou a tristeza. E com razão!

Já é tão difícil competir com outras garotas, mais legais, mais bonitas, mais simpáticas, mais seguras e até mais "empolgantes" e já passa tanta insegurança na cabeça dela, do tipo "será que ele se interessou mesmo por mim?", "será que mereço ele?", e ela já se sente tão pressionada por todas as outras que estão por aí! Essas outras que dão em cima dele, que são até mais engraçadas, que, provavelmente, são menos complicadas. E quando sai assim, da boca dele, desce um choque percorrendo no corpo da menina. O coração aperta, a cabeça dói e as lágrimas, espontaneamente, descem mesmo que ela não queira. 

Será que ela merece isso? Será que merece algo como "Ela é gostosa, não é?" saindo da boca de quem ela ama, quem confia e por quem se apaixonou, falando de outra garota? Desse jeito ela se sente ainda mais insegura, porque a verdade é que é muito bom escutar que ele a acha bonita, mesmo que nem seja tanto, que gosta de dizer "saudade" para ela porque, nossa!, como ele queria ir até onde ela está e ficar o tempo todo ao lado, mesmo que seja em silêncio. Porque ela quer se sentir especial, quer ter aquela conversa que é só deles, quer contar segredos que só eles sabem. Porque isso é importante e se é importante para ela, deveria ser importante para ele também. 

Com tudo isso, ela acaba se perguntando: e se eu fosse como a outra? E se tentasse pensar diferente, agisse diferente, será que eu chamaria mais a atenção dele? Bem, a verdade é que, mesmo que chamasse mais a atenção dele, não adiantaria de nada porque ele tem achar ela interessante pelo que é, não pelo que tenta imitar. Assim, talvez ele consiga ver algo tão especial nela que a outra vire somente uma garota normal, e que não importa se a outra é mais bonita, mais simpática, mais segura e menos complicada, ela é a garota dele, aquela por quem ele se apaixonou e a quem entregou o coração para amar. Ela é dele, isso sim deveria importar. 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Leia mais: Saudade para quê?, Serginho Groisman

Existem jovens que sentem nostalgia por não ter sido jovens em gerações passadas. Saudade do enfrentamento com os militares dos anos 70, da organização estudantil nas ruas, do sonho socialista – comunista – anarquista – marxista – leninista. Ter saudade da ditadura é ter saudade de conhecer a tortura, o medo, falta de liberdade e a morte. Ser jovem naquela época era coexistir com a morte, ver os amigos ser tirados das salas de aula para o pau-de-arara, para o choque elétrico, para as humilhações. Da mesma forma, quem sente nostalgia dos anos 80 se esquece do dogmatismo limitante das tribos daqueles tempos, fossem punks, góticos ou metaleiros. Hoje, é a vez dos playboys – patricinhas – cybermanos – junkies, das raves, do crack, da segurança dos shoppings e do Beira-Mar. Um cenário que pode parecer aborrecido ou irritante para muita gente que tem uma visão romântica de outras décadas. Mas nada melhor que a liberdade que temos hoje para saber qual é a real de uma juventude e de uma soci…

As coisas de antigamente

A minha rua tinha duas árvores. Uma delas ficava no quintal do meu vizinho ruim. O vizinho era ruim, ou melhor, ainda é ruim, não a árvore. Bem, o sol sempre nascia atrás dela e de frente para a porta da minha casa e a gente nunca tinha coragem de levantar pra ver o por do sol. Por sorte, o sol se punha na parte de trás da minha casa e esse a gente sempre olhava da varanda que ainda tem no meu quarto. Bem, não no meu quarto, mas no quarto que era meu. Mas tudo bem, agora ele é ocupado por uma pessoa legal, ou pelo menos, ele parece ser legal, algumas músicas das quais escuta pelo menos são.
O fato é que agora a árvore do meu vizinho não está mais lá: o terreno nem é mais do meu vizinho ruim e a árvore foi derrubada para que o espaço no qual ela ocupava fosse agora transformado em garagem para carros. Os carros agora ocupam o lugar. E aquela árvore foi transformada em enfeite. Algumas partes dela, na verdade, porque o resto foi jogado no lixo. E também não dá mais para ver o sol nasce…

Tem alguém aí?

Eu criei o blog Sobre Asas com o intuito de escrever sobre o que eu quisesse, sem precisar de forma fixa ou de algo que não venha de mim e das minhas inspirações. Sem toda essa coisa de gramática, certo, errado, bota ou não, agrada ou não... Por isso passo, as vezes, bastante tempo sem postar e do nada volto de novo, vou e volto, vou e volto.
Mas ei! Tem alguém aí? Gostaria de saber se só eu leio meus rascunhos bobos, ou se alguém mais se interessa. Para melhorar esse projeto, talvez? Não sei. Por egoísmo? Talvez.  Porém, seria legal saber. Comenta aí? Mesmo em anônimo?
No fim, obrigada. A alguém, a ninguém, a mim.