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Mostrando postagens de Abril, 2016

Como ela se sentiu

"Ela é gostosa, não é?" Essa frase não foi dita para ela, foi dita para outra. E dentro de um turbilhão de sentimentos que passaram rapidamente sobre seu coração, sobrou a tristeza. E com razão!
Já é tão difícil competir com outras garotas, mais legais, mais bonitas, mais simpáticas, mais seguras e até mais "empolgantes" e já passa tanta insegurança na cabeça dela, do tipo "será que ele se interessou mesmo por mim?", "será que mereço ele?", e ela já se sente tão pressionada por todas as outras que estão por aí! Essas outras que dão em cima dele, que são até mais engraçadas, que, provavelmente, são menos complicadas. E quando sai assim, da boca dele, desce um choque percorrendo no corpo da menina. O coração aperta, a cabeça dói e as lágrimas, espontaneamente, descem mesmo que ela não queira. 
Será que ela merece isso? Será que merece algo como "Ela é gostosa, não é?" saindo da boca de quem ela ama, quem confia e por quem se apaixonou, …

O que é isso?

Insegurança. Onze letras e um problema enorme. 
O que é isso que me trava e impede de ser feliz? Eu sei a resposta, professor, mas tenho medo de dizer e errar na frente de todos. Eu acho diferente, gosto de olhar as coisas de uma forma diferente, mas tenho medo de dizer e depois me arrepender. Eu gosto de me vestir assim, de ser assim, mas nem sempre sou, porque a insegurança bate no meu peito e me deixa sozinha, onde quer que eu esteja, para lidar comigo mesma. Ela me impede de ser feliz e isso não é bom.
Por que carrego comigo tanta insegurança? Como sair desse beco escuro e vazio e soltar minha voz e me sentir mais firme e segura? É difícil sair dela, mas mais difícil ainda parece ser conviver com ela. E ela vem junto com o medo, medo de ser deixada para trás, medo de errar, medo de ser eu mesma e ninguém gostar. 
O suor desce, as mãos ficam geladas, o pânico e até a audição aumentam. A insegurança me puxa para trás como uma corda firmemente amarrada ao meu pescoço. Preciso me liv…

Somos todos divergentes

Sempre acreditei que em cada pessoa existe algo de especial e, não minto, acredito nisso até hoje. Conheci pessoas animadas, extrovertidas e que não calavam a boca um segundo só e sempre as achei fantásticas, animadas e fáceis de se apegar. Também conheci pessoas caladas, silenciosas e até misteriosas, tímidas e quietas e também sempre as achei fantásticas, porque eu via algo que talvez nem todos vissem: uma identidade, um jeito próprio. E se eu for falar sobre o tanto de "jeitos" que existem por aí eu demoraria muito tempo. 
O fato é que cada pessoa tem algo especial em si. Se o mais extrovertido anima a todos, também é bom conversar com o mais calado, aquele que escuta mais. Se aquele que se amostra é visto muitas vezes como "soberbo", ele também é engraçado, também pode ser amigo. Se o que não é muito "preocupado" com as amizades, ele também pode ser essencial. E é! Nós não precisamos buscar ser algo que não somos só porque acreditamos que se formos d…

#02

"A princípio foi esse olhar um simples encontro; mas, dentro de alguns instantes, era alguma coisa mais. Era a primeira revelação, tácita mas consciente, do sentimento que os ligava. Nenhum deles procurava esse contato de suas almas, mas nenhum fugiu. O que eles disseram um ao outro, com os simples olhos, não se escreve no papel, não se pode repetir ao ouvido, confissão misteriosa e secreta, feita de um a outro coração, que só ao céu cabia ouvir, porque não eram vozes da terra, nem para a terra as diziam eles. As mãos, de impulso próprio, uniram-se como os olhares; nenhuma vergonha, nenhum receio, nenhuma consideração deteve essa fusão de duas criaturas nascidas para formar uma existência única." Helena, Machado de Assis.

#01

"O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem." Grande Sertão: Veredas, Guimarães Rosa

Conheça: Switchfoot

Provavelmente você já ouviu alguma música dessa banda em alguma parte daquele filme/série triste, em que rola "cachoeiras nos seus olhos". Elas são lindas mesmo e essa é uma das minhas bandas preferidas. Escuta aí!
1. Dare you to move

2. Where I belong

3. Only hope

4. The Edge of the Earth

5. This is home

Saudades de um dia de feriado

Hoje é uma dia de saudade Será que te verei? E mesmo a noite Que ainda nem chegou Faz meu pensamento voltar para ti Me pergunto outra vez Será que te verei?
As maquinações da minha mente Não me deixam em paz E fico bolando um jeito Meio maluco, sem juízo Para ver de perto Esse teu rosto lindo
Me pergunto, entristecida Para que tanto feriado Que me afasta de ti? Mas, sei que se hoje reclamo E fico longe Amanhã nesse mesmo dia Agradecerei Pois perto estarei Outra vez de ti

17.04.2015

Um dia, você vai acabar sozinho. Por causa dos erros que cometerá e da sua falta de atenção, você morará com sua mãe outra vez, que já não se aguenta em pé e está perto de falecer e sua irmã ainda solteira, reclamando do café frio e da falta de tempo. Um dia, ela se casará com um bom homem e você ficará sozinho. 
A casa que antes parecia tão pequena que não cabia todos os seus irmãos, cunhadas e sobrinhos, ficará tão grande que você terá preguiça de sair da cama até a cozinha, mesmo tendo sua barriga roncando de fome a todo o instante e quando chegar à geladeira, encontrará água quente e ovos podres, porque esqueceu de pagar a energia. E aí vai se lembrar da sua ex-mulher, que tanto te amava e que um dia você amou, lhe dizendo "Vá pagar essa conta, antes que você esqueça!". Vai achar que está vendo suas duas menininhas gritando e brincando pela casa e até chamando "Papai!", até perceber que são memórias e que, na verdade, elas hoje estão adultas. Aliás, elas ficar…

Canção do exílio, Casimiro de Abreu

Eu nasci além dos mares: Os meus lares, Meus amores ficam lá! — Onde canta nos retiros Seus suspiros, Suspiros o sabiá!
Oh que céu, que terra aquela, Rica e bela Como o céu de claro anil! Que seiva, que luz, que galas, Não exalas Não exalas, meu Brasil!
Oh! que saudades tamanhas Das montanhas, Daqueles campos natais! Daquele céu de safira Que se mira, Que se mira nos cristais!
Não amo a terra do exílio, Sou bom filho, Quero a pátria, o meu país, Quero a terra das mangueiras E as palmeiras, E as palmeiras tão gentis!
Como a ave dos palmares Pelos ares Fugindo do caçador; Eu vivo longe do ninho, Sem carinho; Sem carinho e sem amor!
Debalde eu olho e procuro... Tudo escuro Só vejo em roda de mim! Falta a luz do lar paterno Doce e terno, Doce e terno para mim.
Distante do solo amado — Desterrado — A vida não é feliz. Nessa eterna primavera Quem me dera, Quem me dera o meu país!

Dualismo poético

Por que as vezes sou o mar E outras só uma gota? E meu céu é tão aberto Mas fechado, logo depois
Sentir tanto, sentir nada Enjoo, confusão, angústia Por que as vezes quero uma curta noite E outras, dormir uma longa?
Tem alguém aí? Minha mente prega peças! Mas nunca fui boa com jogos E nem sempre consegui o primeiro lugar
Só quero um bom lugar para ficar Encontrar a certeza, a firmeza, felicidade E se tudo for relativo Com o que eu vou ficar?
Por que sou o universo? E logo depois, a utopia? Se não vejo, não sei, não conheço O fim último não pode ser Senão a poesia