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Quem eu sou


      
      
      Estou em todos os lugares, transitando entre pessoas do mundo inteiro. Não, eu não sou o egoísmo ou a fofoca, mas vejo tudo e ouço mais ainda. Poderia sim trabalhar num censo internacional: sei de tudo. Matéria do dia: CAPITALISMO DESTRÓI RELAÇÕES ENTRE PAÍSES! Não. Isso não é novidade e eu não conheço nada novo que não já tenha sido conhecido um dia. Eu não seria, portanto, o jornalismo e nem ligo para isso, na verdade.
      O amor está em alta! Não! Baixou. Caiu caiu caiu. O que é mesmo o amor? Ah! Pô, ta ultrapassado. Cê tá véia hein? Eu não seria a economia, não tenho paciência o suficiente para tal cargo, embora ela insista em interferir na minha existência.
          Ih! Caramba! Estou perdido. Que hashtag eu seria? Quantas pessoas já curtiram minha página? Estados Unidos, Irã, Palestina, Rússia, Isra... Shhhhh! (sussurro: não posso nem citar esse nome! Estou proibido de entrar lá em 2014!) Mas vamos ser realistas né? Nem nesse ano nem nos próximos. Enquanto as infelizes da economia e da política me manterem acorrentado em seus porões, vazia e inútil, eu não posso existir. Censurado e como o amor... ULTRAPASSADO.
       É ridículo! SOCORRO! SOCORRO! O que estou fazendo aqui? Não posso estar aqui! Me debato sobre a escuridão, a agonia invade a minha consciência, eu grito grito grito. Eu não deveria estar aqui. EU SOU IMPORTANTE! Por favor... fraco, fraco, estou fraco e sem sentido. Perdido perdido. 
           Por favor...
           Eu sou a paz. E não estou em lugar algum. 

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